28 novembro 2009

Por uma geografia do poder - Raffestin

O quadro de Goya foi usado na capa do livro: Pour une géographie du pouvoir (por uma geografia do poder) de Claude Raffestin, ele representa as tramas do poder segundo Raffestin:

Don Manuel Osorio de de Zuniga - Goya

Ao escrever isso nos vem a à memória um quadro de Goya que, para além do que representa, expressa com incrível precisão o complexo emaranhado da trama que as relações de poder tecem nos espetáculos mais insignificantes. Pensamos neste Don Manuel Osorio de de Zuniga, que coloca em cena uma criança e seus brinquedos "vivos". A criança vestida de vermelho, o ator por excelência, e também os animais dispostos aos seus pés, à direita, à esquerda e a frente, compõem o significado do espaço do quadro. O significado do espaço também é dado pelas relações mantidas pelos elementos desta composição. A obra de Goya é uma fascinante metáfora pictural de sistema de poder. Sem duvida a criança domina por sua presença realçada pelo vermelho, mas só domina porque todas as relações passadas, presentes e futuras passam por ela. É ela que quem segura o cordão que prende o pássaro colocado à sua frente, cujo os movimentos potenciais são determinados pela maior ou menor liberdade que a criança lhe proporcionará. Á direita dela, três gatos, cuja cabeças ocupam os vértices de um triângulo imaginário, têm o olhar voltado para o pássaro, no qual vêem um trunfo para a violência deles. Violência contida, prestes a se manifestar, mas que a presença da criança impede.Prova disso é a falta de medo do pássaro, que se esforça em levantar uma carta com o bico. Do lado esquerdo da criança, uma gaiola contendo outros pássaros menores expressa o caráter de prisão em segundo plano, do espaço construído. Todos esses animais são trunfos para a criança que os controlam e com eles matem relações de poder. contudo, bastaria que cessasse a convenção - que mantém os gatos em repousa - para que a cena se animasse e se revertesse em drama. A criança também é o trunfo destes animais; é tanto prisão como garantia; ela faz pesar sobre eles a ambigüidade de sua vontade. É a medida da incerteza e a parte do acaso, para eles e para si. É portanto , a representação de um equilíbrio entre uma infinidade de desequilíbrios brios possíveis que podemos imaginar, mas não verificar. as relações de poder se escrevem numa cinemática complexa. (RAFFESTIN, 1993, p. 6-7)

BIBLIOGRAFIA:

RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. Tradução de Maria Cecília França. São Paulo: Ática, 1993.

3 comentários:

  1. Eu li esse livro. Adorava geopolítica e temas afins. Á época fazia minha iniciação científica na UFPE versando sobre Geopolítica do Nordeste. Daí meu então orientador, Prof. Nilson Cortez Crócia de Barros me indicou ele.

    Um abraço e boa páscoa.

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  2. Q interessante eu li este livro quando desenvolvia um projeto de IC precisava escrever uma fundamentação sobre o conceito de território.

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  3. Eu li esse livro quando fiz Geopolítica com a professora Iná de Castro na minha graduação. Esse livro é ótimo!!!

    Muito legal seu Blog. Estou tentando organizar o meu, mas não tenho tanta facilidade.
    Um abraço.

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